Vem aí: “Santuário dos Ventos”

Publicado em: 09/02/2018


George R.R. Martin e Lisa Tuttle reuniram seus talentos para presentear o leitor com Santuário dos Ventos (Windheaven), uma obra ambiciosa, que, combinando ficção científica e fantasia, chega às lojas em março pela LeYa.

Antes que alguém comente que George deveria estar neste momento preocupado com outros ventos, é bom esclarecer que o livro foi publicado originalmente nos Estados Unidos em 1982, mas, embora tenha sido aclamado por crítica e público, além de receber o Locus Award daquele ano, permanecia inédito no Brasil.

Na trama, após um desastre espacial, os tripulantes de uma nave intergaláctica passam a habitar uma região que chamam de Santuário dos Ventos, um mundo de pequenas ilhas, de clima difícil e mares infestados por monstros. Composta de inúmeros arquipélagos, a comunicação entre os povos era praticamente impossível – até a descoberta de que, devido à baixa gravidade e à sua densa atmosfera, os humanos poderiam voar pelos mares com a ajuda de asas de metal.

Não por acaso, ninguém tem mais prestígio que os voadores, responsáveis por levar notícias para os mais diversos pontos do Santuário. Essas figuras deslumbrantes que cruzam os oceanos traiçoeiros, enfrentando ventos revoltosos e tempestades súbitas, formam também uma espécie de elite privilegiada, pois suas asas só podem ser passadas de forma hereditária. É nesse cenário que a jovem Maris é criada por Russ, um voador, e tudo o que ela mais deseja é voar pelas correntes acima do Santuário dos Ventos. No entanto, a tradição afirma que as asas de Russ só podem ser passadas para seu filho legítimo. E, para os voadores, permitir que qualquer um se junte à sua sociedade é uma ideia que beira a heresia.

Inconformada, Maris recorrerá a tudo que estiver a seu alcance para conquistar as preciosas asas – abalando a sociedade em que vive e gerando uma série de novas questões morais entre os voadores e os “confinados à terra”. Afinal: quem merece ganhar os céus do Santuário dos Ventos? E até que ponto a benção se torna também uma maldição?

Vale contextualizar um pouco mais a obra, que, na verdade, começou a ser escrita em 1973, logo depois de Martin e Tuttle se conhecerem. O texto que abre Santuário dos ventos, “Tempestades”, foi publicado pela primeira vez, com pequenas diferenças, na importante revista Analog, em maio de 1975, sob o título “The storms of Windheaven”. Nessa versão, ganhou o Locus de Melhor Novela e foi indicado ao Hugo e ao Nebula – simplesmente os mais importantes prêmios da literatura fantástica mundial. Logo a dupla teve certeza de que precisavam expandir esse universo: “One-Wing”, que depois virou a segunda parte do romance, com o nome de “Uma-Asa”, saiu na mesma revista em duas partes no início de 1980. Por fim, eles perceberam que tinham um romance em mãos e concluíram a narrativa com o segmento “A queda” (“The fall”), que entrou direto no livro.

Mas que é essa Lista Tuttle, afinal? Ela ganhou o John W. Campbell Award de melhor escritora em 1974 e desde então escreveu vários contos e novelas, incluindo “Lost futures”, que foi indicado ao Arthur C. Clark Award, e “The pillow friend”. Além disso, escreveu diversos livros infantis. Nascida no Texas, EUA, atualmente mora com o marido e a filha numa área remota na costa ocidental da Escócia, onde a paisagem e o clima são muito similares aos do Santuário dos Ventos.


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