Quem são as Mulheres Perigosas? – por Fernanda Castro

Publicado em: 16/08/2017


Conhece a antologia Mulheres Perigosas, organizada por George R.R. Martin e Gardner Dozois? A Fernanda Castro, do The Bookworm Scientist, fez uma excelente resenha, conto a conto, que nós reproduzimos a seguir!


Resenha originalmente publicada no site The Bookworm Scientist – Leia no original aqui.


Bem, eu já andava de olho em Mulheres Perigosas desde que a LeYa anunciou a publicação aqui no Brasil. Gosto de contos, adoro ver pessoas diferentes trabalhando um mesmo tema e simpatizei muito com o trabalho de Martin e Gardner Dozois em O Príncipe de Westeros e Outras Histórias. Antologias são oportunidades muito boas de conhecer novos autores sem precisar se comprometer com calhamaços ou séries de 10 livros. É como um aperto de mão educado e um flerte na mesa do bar.

Se isso já não fosse motivo suficiente para se interessar pela obra, a temática do livro apela ainda mais fundo para o meu coração: mulheres perigosas. Então quer dizer que eu vou juntar um punhado de autores incríveis (entre eles Martin, Sanderson e Gabaldon, que são mui admirados aqui no blog) e vou colocar todos eles para me contar histórias protagonizadas por mulheres fortes e complexas? Como eu poderia não querer ler isso?

Esse raciocínio acabou tornando-se verdadeiro na prática, se a gente parar pra pensar que devorei um livro de 732 páginas em pouco mais de 4 dias… Aliás, deixa eu falar um pouco da edição:

Ao contrário do que foi feito com O Príncipe de Westeros e Outras Histórias, a LeYa resolveu publicar todos os 21 contos de uma vez. E olha…isso dá página pra caramba. Imagino que esta seja uma característica do “clube dos amigos de Martin”: todo mundo nessa antologia escreve bastante. Em alguns contos, senti inclusive que muito da história poderia ter sido enxuto. Ainda assim, foi uma leitura prazerosa.

Mas finalmente… quem são as Mulheres Perigosas? O que é uma mulher perigosa, pra começo de conversa?

Achei bastante engraçado observar as respostas tanto do público quanto dos próprios autores. Dei uma pesquisada nas reviews estrangeiras pra saber como havia sido a recepção do livro em outras bandas, e você não faz ideia da quantidade de ressalvas que encontrei. Basicamente, os leitores de Mulheres Perigosas reclamam de duas coisas: a obra não tem “fantasia e ficção científica suficiente” e “as mulheres não são tão kick-ass quanto gostaríamos de ver”.

Em primeiro lugar, a gente precisa parar com essa mania de enxergar fantasia medieval em qualquer coisa que o Martin coloque a mão. Em nenhum momento Mulheres Perigosas promete um mundo de fantasia: o livro apresenta-se como uma coletânea de ficção com gêneros variados. E realmente dá pra encontrar de tudo, de romance histórico a terror, de faroeste a aventura intergalática.

Sei que muito dessa expectativa vem do próprio marketing editorial: o nome do Martin pesa, e é usado exaustivamente nos anúncios. Mas, de novo: as coletâneas de George Martin NÃO SÃO extensões de As Crônicas de Gelo e Fogo. Lutar contra isso é como querer encontrar Sandman nos livros infantis do Neil Gaiman.

Quanto ao questionamento sobre o nível de “periculosidade” das mulheres apresentadas, acho importante que a gente, como leitor, não se agarre a um único estereótipo. Creio que quem sentiu falta de mais “kick-ass” já veio com a cabeça fechada na imagem de Arya Stark, ou Vin, de Mistborn. O pessoal queria violência, queria sangue nos olhos, queria ver alguém que pisasse no arquétipo da boa menina.

E não há nada errado com personagens assim (eu adoro). Mas essa não é a única forma de uma mulher ser perigosa. Ser uma guerreira não é a única forma de ser forte. Existem muitas outras.

De forma geral, fiquei com a impressão de que as autoras mulheres entenderam o conceito de perigo como empoderamento. Suas mulheres são perigosas porque são donas do próprio nariz. Porque possuem motivação e orgulho próprio, porque não aceitam levar desaforo pra casa. E isso as torna temidas dentro de uma sociedade presa pelas normas de conduta. Isso as torna perigosas. Instáveis.

Já boa parte dos autores preferiu abordar a mulher perigosa no sentido maléfico, como vilã de suas histórias. Elas são as femme fatale, as personagens capazes de destruir a vida de um homem. Nunca saberemos o que passava em suas cabeças, apenas veremos seu efeito arrasador na vida do… homem. E geralmente com um conto pendendo para o teor erótico.

Essa abordagem acompanha prós e contras. Em alguns textos (falarei mais disso adiante), fiquei com a impressão de que a tal “mulher perigosa” estava lá apenas para efeito burocrático (toma, tá aí a sua mulher perigosa). As histórias são muito boas, mas eu não as encaixaria na temática da coletânea. São histórias sobre homens. O conto da própria Diana Gabaldon, por mais delicioso que seja de ler, é basicamente sobre seu personagem Jamie (não que eu me importe, haha).

Bem, isso tudo é pra falar que me incomoda muito, muito mesmo, ver um conto como ‘Vizinhos’, de Megan Lindholm, ser taxado de fraco por contar a história de uma “velha caduca”. Este, para mim, é um dos melhores contos da antologia. ‘Vizinhos’ vai tratar um viés feminino ainda pouco explorado, com uma sensibilidade e veracidade alarmantes. É uma mulher perigosa como a gente nunca imagina, uma mulher forte pra caramba que vive aí bem debaixo do seu nariz. Reduzir mulheres perigosas a assassinas de beira de estrada é de um reducionismo alarmante.

O próprio conceito de mulher foi uma coisa bem trabalhada no livro. Em vez de focar numa faixa etária, os autores primaram pela experiência de vida. Tem criança, tem adulta, tem idosa. Aqui, o ser mulher tem muito mais a ver com um estado de espírito, com uma vivência (muitas vezes traumática) que transforma. E é bacana demais acompanhar esses diferentes olhares sobre a realidade humana.

A gente precisa da pluralidade de Mulheres Perigosas. A gente precisa de cada uma delas.

Vou fazer uma rápido comentário sobre o que achei de cada um dos 21 contos presentes no livro, o suficiente para deixar minhas impressões sem arruinar a leitura com spoilers.

1) Fora da Lei – Joe Abercrombie

Uma boa abertura para o livro, apenas o suficiente para manter você preso mas também sem virar o seu mundo de pernas para o ar. Um conto tradicional.

Eu já vinha com altas expectativas para Joe Abercrombie, porque só escuto maravilhas sobre a trilogia ‘A Primeira Lei’. Gostei bastante de sua narrativa, da ambientação faroeste e de sua protagonista…mas foi só. É uma boa história, mas ela parece mais com um capítulo de um livro do que com um conto. Senti falta de algo antes e algo depois, entende?

2) Ou Meu Coração Está Partido – Megan Abbott

Essa foi a primeira chacoalhada que levei em Mulheres Perigosas. Não tem como não se apaixonar por essa narrativa psicológica que te deixa cheio de dúvidas, sem perceber que está prendendo a respiração. Megan me fez lembrar muito o estilo de Gillian Flynn, e vou usar para ela a mesma definição que usei para a autora de Garota Exemplar: Megan é uma autora de ideias perturbadoras. E eu AMO quando alguém consegue me deixar assustada com elementos banais e sutilezas do dia a dia.

3) A Canção de Nora – Cecelia Holland

Ficção histórica é um dos meus pontos fracos, então fica difícil eu não gostar de ler sobre as intrigas políticas do trono inglês. Ainda mais quando Holland faz um trabalho tão bom em apresentar sua mulher perigosa, Eleanor, de um modo tão sutil por trás da filha Nora (que por si só também carrega uma parcela da carga dramática).

Outra coisa bacana sobre esse conto é que ele é irmão de outra história da antologia. Em ‘Uma Rainha no Exílio’, Sharon Kay Penman mostrará outra intriga real situada alguns anos depois, e vários personagens de ‘A Canção de Nora’ aparecerão novamente em suas formas adultas.

4) As Mãos que não Estão Lá – Melinda M. Snodgrass

Aventuras interplanetárias não são um tema comum nas minhas leituras. Apesar de amar Star Wars e derivados, eu costumo preferir os recantos terrenos e cheios de trevos de quatro folhas da fantasia. Mas gostei da abordagem de Melinda, ainda que toda essa atmosfera de nave espacial e exército não seja muito o meu habitat natural. Talvez seja porque todo o conto se passa por uma narrativa de mesa de bar (e isso a fantasia tem muito), então acabei comprando a história.

Acho que ela tocou o dedo numa ferida bem realista sobre como os humanos tratariam possíveis raças alienígenas e sua miscigenação. Só achei que o plot twist final não foi tããão plot twist assim…

5) Explosivas – Jim Butcher

Olha, queria fazer uma ressalva enorme aqui. Eu sei que todos os autores de Mulheres Perigosas são mega renomados e suas obras já são clássicos de muitos anos, mas…aqui no Brasil as coisas são diferentes.

Eu sempre quis ler Jim Butcher, e sempre quis ler Dresden Files. Então eu não esperava receber um MEGA SPOILER ainda na apresentação do conto! Se você também não tá preparado pra isso, sugiro que pule o próximo parágrafo.

Muitos dos contos apresentados em Mulheres Perigosas são spin-offs de universos já publicados. Mas geralmente você cria um spin-off que chama atenção para que o leitor vá atrás do universo ao invés de arruinar a experiência de leitura de uma vez por todas. Harry Dresden está morto, ele é meio-irmão de um íncubo e sua assistente continua apaixonada. Obrigada, Jim Butcher, obrigada mesmo. Posso até estar sendo um tanto dramática, mas eu fiquei chateada de verdade.

Tirando isso, ‘Explosivas’ é um conto excelente, muito divertido e dinâmico (o que me deu ainda mais raiva dos spoilers, porque Jim Butcher tem um estilo que eu adoraria encontrar numa série). Fiquei encantada pelos personagens e pelo modo como ele soube explorar as vulnerabilidades de sua protagonista ao mesmo tempo em que nos faz rir.

E não importa o que digam, na minha cabeça os svartalves sempre terão as feições do Andy Serkis.

6) Raisa Stepanova – Carrie Vaughn

Raisa Stepanova é uma mulher tão incrível e tão humana que eu precisei pesquisar no Google para verificar se não estava lendo sobre uma personalidade que realmente existiu. Que trabalho incrível da Carrie Vaughn!

Um conto simples e emocionante sobre heroínas da vida real e as consequências da guerra. Um dos favoritos da antologia.

7) Lutando com Jesus – Joe R. Landsdale

Landsdale parece ter sido um dos que incluiu uma femme fatale em seu conto apenas para constar na temática. Sua história não é, sob nenhum aspecto, sobre uma mulher perigosa. É uma história sobre garotos, sobre velhice, sobre independência e força.

É um conto legal com uma premissa bem maluca, e me senti assistindo a um remake de Gran Torino, aquele filme de 2008 em que o Clint Eastwood protegia seu jovem vizinho coreano de uma vizinhança barra pesada. Gostei. Só não sei o que está fazendo nessa antologia.

8) Vizinhos – Megan Lindholm

Se eu já me achava em dívida por nunca ter lido A Saga do Assassino, agora eu fico me achando praticamente uma pecadora. Megan Lindholm (que também assina seus escritos como Robin Hobb) tem uma sensibilidade e uma verdade em seu modo de escrever que é de encher os olhos dágua.

Mulheres Perigosas tem muitas histórias boas, mas nenhuma como essa. A temática da velhice, do Alzheimer, dessa fronteira absurdamente complicada entre ter independência e se tornar um fardo…era algo que eu não esperava encontrar. E foi uma surpresa maravilhosa.

Cada página, cada frase, cada pedacinho da vida de Sarah Wilkins é importante para formar a imagem final desta história, sobre a qual me peguei ainda pensando, horas e horas depois.

9) Eu Sei Escolhê-las – Lawrence Block

Eu não definiria esse conto como sendo gore, mas Lawrence com certeza traz uma daquelas histórias que deixam a gente com o estômago meio embrulhado por presenciar tanta degradação humana.

A pegada erótica (mas nada romântica) causa repulsa, ainda mais porque no fim das contas acabamos “simpatizando” com os personagens. E é muito, muito complicado se sentir na mente de seres humanos tão quebrados.

Este é outro conto cuja mulher perigosa não é real protagonista da história. O conto é muito mais centrado em sua contraparte masculina, Gary.

10) Sombras nas Florestas do Inferno – Brandon Sanderson

Pode me chamar de fangirl, mas eu não consigo não gostar de alguma coisa escrita pelo Sanderson. Que ambientação, que final, que mulheres!

Adorei o sistema de magia, ainda que este não seja totalmente explicado e explorado pelo autor (o que faz sentido dentro de um conto e é até bem-vindo para o tipo de narrativa que ele escolheu). E, principalmente, amei como ele jogou com os estereótipos de gênero e com as motivações que levam alguém a matar. Será que o mais renomado caçador de recompensas liga para a fama? O que aconteceria se ele tivesse filhas para sustentar?

Sanderson trouxe uma das mulheres mais perigosas em matéria de luta. E também uma das mais amáveis e com a qual podemos nos conectar.

11) Uma Rainha no Exílio – Sharon Kay Penman

Como citei lá em cima, este conto retomará a linhagem inglesa de Cecelia Holland, só que focando em Constance de Hauteville, esposa do rei da Alemanha e herdeira do trono da Sicília.

Sabemos que a vida das mulheres aristocratas da época era difícil: elas funcionavam mais como instrumentos políticos, forjando laços matrimoniais e gerando herdeiros. Para Constance, casada com um marido frio e egoísta, as coisas foram ainda mais difíceis. Achei bem bacana como a autora abordou a relevância das intrigas que ocorrem por baixo dos panos. Às vezes, são detalhes simples que resolvem uma guerra.

12) A Garota no Espelho – Lev Grossman

Encontrei críticas bastante elogiosas, mas confesso não ter achado nada de muito incrível neste conto ambientado dentro do universo de Lev Grossman. Talvez para quem já tenha lido os livros do autor faça mais sentido.

A começar porque é tudo tão parecido com Harry Potter que causa estranheza (sua obra é inclusive taxada como “Harry Potter para adultos”). Mas não sei…Não comprei a premissa, não simpatizei com os personagens e achei que a virada final, embora boa, foi terrivelmente mal explorada.

13) Segundo Arabesque, Muito Lentamente – Nancy Kress

Me apaixonei pela escrita de Nancy e por sua visão sobre o que é uma mulher perigosa. Seu conto em primeira pessoa mostrará uma realidade pós-apocalíptica onde tudo o que é belo foi deixado para trás em nome da sobrevivência. Também falará sobre o novo, o velho, nossas escolhas e nossos sacrifícios. É um conto sobre empoderamento, acima de tudo.

Outra bela história para refletir.

14) Cidade Lázaro – Diana Rowland

A minibiografia de Diana Rowland afirma que a autora já trabalhou como bartender, crupiê, detetive, assistente de necrotério e supervisora de cassino. E eu acredito em tudo isso, porque só assim para explicar sua alta capacidade em reproduzir o clima decadente do submundo de Nova Orleans, arrasado após a passagem do furacão Katrina.

Diana também aposta no arquétipo da femme fatale, mas sua personagem, ao contrário das outras, é bem trabalhada e complexa, tendo voz verdadeira na história. O conto também trabalha com o erótico e o degradante, e assim como o conto de Lawrence Block, deixa uma sensação amarga na boca do estômago.

15) Virgens – Diana Gabaldon

Outra que não estava muito a fim de escrever sobre mulheres perigosas, Diana queria apenas contar mais um pouco da vida de seu herói Jamie Fraser para alegria geral da nação.

A história é bem divertida, nos mesmos moldes de Outlander, seguindo as desventuras de moços de kilt irresistivelmente inocentes quanto aos prazeres da carne. O spin-off foca na vida de Jamie logo após sua fuga da prisão, antes de conhecer Claire, e por isso pode ser lido sem nenhum problema pelos fãs da série original (aprende, Jim Butcher!).

Fiquei com a impressão de que 60% do conteúdo da história poderia ser dispensado sem prejuízo ao enredo, mas isso não significa que a enrolação de Gabaldon seja chata. Ela apenas fica lá, fazendo graça e nos entretendo com seus personagens cativantes antes de realmente mexer os pilares da história. Gabaldon tem um dos contos mais compridos da antologia, perdendo talvez apenas para o próprio Martin (dá pra entender porque eles são tão amigos, né?).

E a mulher perigosa? Bem…ela está lá. Mas é tão fraca que você é capaz de nem prestar atenção nela.

16) O Inferno Não Tem Fúria – Sherylinn Kenyon

Um conto curto, bobinho e bem decepcionante. Ainda mais porque a minibiografia de Sherylinn a apresenta como “uma estrela do romance paranormal”. Para mim, ficou mais pra “estrela do roteiro de Sessão da Tarde”. O terror não assusta, a lição moral é mal trabalhada e os personagens não tem profundidade. Achei o mais fraquinho de todos os contos apresentados.

17) Anunciando a Pena – S.M. Stirling

Adorei o universo criado por Stirling, e adorei mais ainda a ideia de que, num mundo pós apocalíptico, os humanos iriam se voltar para o sistema judiciário primal dos clãs antigos. Achei que tudo fez muito sentido dentro do enredo, e é muito bacana ver como uma dúzia de personagens diferentes pode funcionar em conjunto dentro de uma mesma cena. O conto inteiro se passa praticamente no mesmo lugar e você continua achando interessante do início ao fim.

18) O Nome da Fera – Samuel Sykes

Aconteceu algo muito esquisito aqui.

O Nome da Fera tem toda a pinta de uma grande história. Sua narrativa cuidadosa, as mudanças de ponto de vista, a sensação de andar e sempre parar no mesmo lugar…todas as peças no lugar certo para a grande revelação. E ela veio.

E eu não entendi.

Talvez seja um problema de tradução, ou talvez seja só burrice minha mesmo, mas nada fez sentido no final. Eu pressinto que Sykes está falando algo sobre a natureza humana, sobre o que nos torna uma espécie, sobre a fera que habita em nós mesmos…mas não saquei, desculpa. Se você entender esse final, por favor volta aqui pra me contar.

19) Cuidadores – Pat Cadigan

Acho que Pat foi prejudicada pela posição de seu conto. Quase no fim do livro, eu já havia lido sobre casas de repouso, sobre velhice e sobre pulgas atrás da orelha. Então seu conto, apesar de bom, ficou parecendo mais do mesmo.

Além disso, Cadigan tem o mesmo problema de Gabaldon: poderia eliminar 60% das páginas de sua história, que passam se arrastando em diversas cenas.

20) Mentiras que Minha Mãe me Contou – Caroline Spector

Caroline Spector veio representando o universo Wild Cards na antologia, que não é muito a minha praia mas acabou agradando. Engraçado que toda essa história de heroína aposentada tentando proteger uma filha chegou numa hora tão bem casadinha com Logan que parece até de propósito.

A única falha gritante deste conto é o seu final. Caroline cria uma armadilha psicológica para suas personagens, cheias de implicações alá Jessica Jones e Kilgrave…e depois resolve tudo em meio parágrafo, com a facilidade de quem prepara pipoca de microondas. Achei que suas protagonistas mereciam um final mais digno.

21) A Princesa e a Rainha – George R.R. Martin

E lá vem ele, a estrela da festa, que assim como o Oscar de Melhor Filme fica sempre por último pra garantir a audiência.

Martin parece obcecado em escrever sobre A Dança dos Dragões, tendo apresentado praticamente a mesma história em O Príncipe de Westeros, porém com foco em outro personagem. Mas é aquela coisa, né…não consigo culpá-lo. É uma guerra. Com dragões. Quem não estaria obcecado?

Nem preciso dizer que adorei o conto mesmo já sabendo de praticamente tudo o que estava ali, porque tenho mentalidade de meistre e porque sou fã de carteirinha da Princesa Rhaenyra.


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