Quando George R.R. Martin tietou Stan Lee

Publicado em: 13/11/2018


Nesta semana perdemos o grande Stan Lee, um dos maiores escritores de quadrinhos da história e criador de dezenas de personagens eternos, como o Homem-Aranha, os X-Men, o Quarteto Fantástico e muitos outros. Seu trabalho inspirou a vida de milhões de pessoas mundo a fora. Uma delas foi o nosso querido George R.R. Martin. Mas, ao contrário da maioria, sua relação com o grande mestre foi além de apenas uma admiração secreta.

Um dos primeiros textos conhecidos de George foi publicado em novembro de 1963, quando ele tinha 15 anos, no número 20 da revista da Marvel Quarteto Fantástico – dentro da seção de cartas, em recado dirigido ao roteirista Lee e ao desenhista Jack Kirby. Dizia assim:

Caros Stan e Jack,

Quarteto Fantástico #17 foi mais que demais. Estou até agora embasbacado, tentando fazer o impossível – isto é, descrevê-la. Foi absolutamente estupenda, definitiva, extrema! Não consigo conceber como vocês foram capazes de juntar tanta ação em tão poucas páginas. Vai ser lembrada para sempre como uma das maiores HQs do Quarteto Fantástico já publicadas, ou seja, como uma das maiores de TODAS as histórias em quadrinhos. Em que outra revista poderíamos ver coisas como um herói caindo num bueiro, uma heroína confundido um inventor de brinquedos com um criminoso e o presidente dos EUA deixando uma conferência que pode determinar o destino do mundo para colocar a filha na cama? E a história épica, espetacular e emocionante não foi o único elemento que deixou a revista tão sensacional. (…) Teve também a ostentação na capa – A MELHOR REVISTA EM QUADRINHOS DO MUNDO! Brilhante! Vocês eram simplesmente a pior revista do mundo quando começaram, mas estabeleceram uma meta e, caramba, a atingiram! Foram além de atingi-la, na verdade – já que, mesmo se vocês tivessem metade da qualidade que têm hoje, já seriam a melhor revista do mundo!

George R. Martin*
35 East First St.
Bayonne, N.J.

E não é que os dois gigantes da industria responderam o garoto?

Deveríamos parar enquanto estamos por cima. Obrigado por suas palavras gentis, George – e agora é hora da nossa seção preferida, onde o papo é reto…

Martin nunca poupou palavras na hora de declarar como os quadrinhos de Stan Lee foram fundamentais na sua formação como contador de histórias, chegando a dizer, quando soube da morte do roteirista, que “sua arte ecoará pelas eras”.

EXCELSIOR!


* Sim, seu nome originalmente tinha um R só: George Raymond Martin. Foi só após a crisma (sua formação é católica) que decidiu incluir o outro R, de Richard, no nome.

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