Por dentro de “George R.R. Martin: RRetrospectiva da obra”

Publicado em: 26/01/2018


George R.R. Martin: RRetrospectiva da obra é uma edição de luxo que resgata, discute e aprofunda a vasta e inigualável obra do mestre da ficção George R.R. Martin. Ler suas 1.100 páginas (além das outras 64 do guia de leitura) é uma experiência sem paralelos na literatura atual.

Autor mundialmente conhecido pela série “As Crônicas de Gelo e Fogo“, adaptada para a televisão pela HBO como Game of Thrones, possui uma obra ainda maior e mais complexa do que você pode imaginar. A edição de George R.R. Martin: RRetrospectiva da obra inclui depoimentos, contos, novelas e textos inéditos e vai abrir as portas desse universo vibrante.

Seus mundos não se restringem apenas aos Sete Reinos. George caminha por todos os gêneros da literatura fantástica com domínio e inventividade ímpares. Mas, como ele mesmo diz,

Podemos inventar todas as definições de ficção cientíca, fantasia e terror que quisermos. Podemos estipular nossos limites e criar nossos rótulos, mas no fim ainda é a mesma velha história, sobre o coração humano em conflito consigo mesmo.

Narrada pelo próprio autor, a RRetrospectiva costura sua vida e suas histórias, comenta sua infância e suas influências, conta seus fracassos e o caminho árduo para o sucesso. Cada parte abre com um texto pessoal, que conta um pouco do que acontecia naquele momento de sua vida e explica as escolhas que fez dos contos e das novelas mais representativos para cada uma de suas fases. Ele comenta com humor sobre suas obsessões, sua mania de não jogar nada fora e sempre voltar ao que escreveu e abandonou.

Cada conto ou romance de George R.R. Martin tem uma história, quase uma saga, de sumiços de originais, fechamento de fanzines e revistas, troca de editores, dificuldades de todo tipo que transformam sua trajetória editorial também numa história emocionante.

O guia de leitura que acompanha o livro traz a cronologia completa e ilustrada da obra do autor, desde sua primeira publicação em fanzine até os roteiros da aclamada série Game of Thrones. Costurando a voz do autor em entrevistas e textos próprios, traz também um pouco de suas influências e paixões, e como isso aparece como marca indelével de sua obra. Do menino que sonhava com as estrelas ao mais novo clássico da literatura mundial, esse percurso é também cheio de aventuras.

O livro, em kit com caixa de madeira e mochila, além do guia de leitura, está disponível com frete grátis por R$ 220 – além de todo comprador concorrer automaticamente a uma viagem às locações da série Game of Thrones na Croácia ou na Irlanda do Norte! Garanta já seu exemplar e saiba detalhes sobre o concurso. A tiragem é limitada.

 

Conheça todo o conteúdo de George R.R. Martin: RRetrospectiva da obra:

 

APRESENTAÇÃO

Um de seus maiores parceiros e colaboradores, Gardner Dozois introduz e contextualiza a obra.

 

UM FÃ EM QUATRO CORES (década de 1960)

Contos escritos durante a adolescência e o início da vida aulta, influenciado pela leitura de quadrinhos e fanzines: “Só as crianças têm medo do escuro”, “A fortaleza” e “E a morte é seu legado”.

Embora a turma não tivesse gostado dos meus contos, eu continuava esperançoso de que alguns editores gostassem. Enviaria meus contos e veria o que iria acontecer. Eu conhecia o processo: encontrar os endereços em Writer’s Market, colocar uma fita novinha na minha Smith-Corona, datilografar um original limpo em espaço duplo, enviar com uma carta de apresentação breve e um envelope de devolução selado e com meu endereço, e esperar. Eu podia fazer isso.

 

O PROFISSIONAL SUJO (1971-1973)

O começo da carreira de escritor professional, representados em quarto contos: “O heroi”, “A saída para San Breta”, “O segundo tipo de solidão” e “Com a manhã vem o pôr da neblina”.

Se eu tivesse conseguido encontrar um primeiro emprego no jornalismo, poderia muito bem ter percorrido a estrada mais seguida, aquela que vem com um salário e plano de saúde. Desconfio que teria continuado a escrever contos eventuais, mas, com um emprego em tempo integral tomando meus dias, eles teriam sido poucos e muito espaçados.

 

A LUZ DE ESTRELAS DISTANTES (1974-1979)

Seus primeiros clássicos, que lhe renderam prêmios e indicações aos maiores prêmios da literatura de ficção científica, Hugo e Nebula: “Uma canção para Lya”, “Essa torre de cinzas”, “E, sete vezes, nunca mate o homem”, “A cidade de pedra”, “Flores amargas” e “O caminho da cruz e do dragão”.

Provei diferentes tipos de ficção científica, junto com diferentes autores: histórias de “alienígenas entre nós”, histórias de “se isso continuar”, anseios pela viagem no tempo, histórias alternativas de “desvios no tempo”, casos pós-holocausto, utopias e distopias. Mais tarde, como escritor, eu revisitaria muitos desses subgêneros… aqueles que me levavam para além das montanhas e para longe, para terras nunca imaginadas aonde eu podia caminhar sob a luz de estrelas distantes.

 

OS HERDEIROS DO CASTELO DAS TARTARUGAS (1976-1982)

As primeiras incursões pela fantasia épica: “As cançòes solitárias de Laren Dorr”, “O dragão de gelo” e “Nas terras perdidas”.

Dragões de gelo se tornaram personagens comuns em muitos livros e jogos fantásticos nos vinte e tantos anos desde que escrevi “O dragão de gelo”, mas acredito que o meu foi o primeiro. E a maioria desses outros “dragões de gelo” parece não passar de dragões brancos vivendo em climas frios. O amigo de Adara, um dragão feito de gelo que sopra frio em vez de chamas, permanece único até hoje; pelo que sei, é minha única contribuição verdadeiramente original ao bestiário fantástico.

 

HÍBRIDOS E HORRORES (1976-1987)

Histórias que combinam ficção científica e terror: “o homem do depósito de carne”, “Recordando Melody”, “Reis da areia”, “Voadores da noite”, “O tratamento do macaco” e “O homem em forma de pera”. “Voadores da noite” está sendo adaptado para uma nova série de TV que, com o título original, Nightflyers, tem previsão de estreia para este ano na Netflix.

Nunca li contos de terror quando criança. Pelo menos, nunca os chamei assim. Já histórias de monstros… essas eu adorava. No Halloween, quando saíamos para pedir doces, eu sempre queria ser um fantasma ou monstro, nunca caubói, mendigo ou palhaço.

 

UM GOSTINHO DE TUF (1976-1981)

Sua primeira tentativa de criar uma série, abrindo os portões para “Wild Cards” e “As Crônicas de Gelo e Fogo“: “Uma fera para Norn” e “Guardiões”, estrelados pelo personagem Haviland Tuf.

Assim nasceu Haviland Tuf, mercador, amante de gatos, vegetariano, grande e careca, que gosta de beber vinho de cogumelos e de brincar de deus, um homem difícil e formal, que há muito ultrapassou a linha entre a idiossincrasia e a excentricidade. Há algo de Holmes e de Ridolph nele, uma pitada de Nicholas van Rijn, um pouco de Hercule Poirot e muito de Alfred Hitchcock… Mas quase nada de mim. De todos os meus protagonistas, Tuf é o menos parecido comigo (embora eu tivesse um gato chamado Dax, mas que não era telepata).

 

O CANTO DA SEREIRA DE HOLLYWOOD (1986-1993)

Um roteiro escrito para o remake da série de TV Além da Imaginação, nos anos 80, “A estrada menos viajada”, e outro para o piloto de um seriado que nunca foi à frente, “Doorways”.

Quando eu estava na sétima série, Além da Imaginação era meu programa de TV favorito. Nunca sonhei que um dia eu escreveria episódios da série.

 

EMBARALHANDO CARTAS SELVAGENS (1987-1988)

Dois contos escritos para a série “Wild Cards”, nascida  de uma mesa de RPG e com muitas influências dos quadrinhos de super-heróis: “O jogo da carapaça” e “Do diário de Xavier Desmond”.

Você pode tirar o garoto de Bayonne, mas não consegue tirar Bayonne do garoto. O mesmo pode ser dito sobre gibis. Eu admito. Se você me cortar, eu sangrarei quatro cores de tinta.

 

O CORAÇÃO EM CONFLITO (1982-1998)

Nas palavras do autor, “um pouco disso, um pouco daquilo”, ou, simplesmente, “coisas estranhas, amigos, coisas estranhas”: “Sob o cerco”, “O troca-peles”, “Variantes inúteis”, “A flor de vidro”, “O cavaleiro andante” e “Retratos de seus filhos”.

Histórias do coração humano em conflito transcendem tempo, lugar e ambiente. Enquanto amor, honra, piedade, orgulho, compaixão e sacrifício estiverem presentes, não importa se aquele estranho alto e magro porta uma pistola de próton ou um revólver de seis tiros. Ou uma espada…

 

UM LISTA RETROSPECTIVA DE FICÇÃO

Por Leslie Kay Swigart, biógrafo do autor.

 


Compartilhe


Comentários