O que esperar para a oitava temporada – por Ana Carol Alves

Publicado em: 14/09/2017


Para a oitava (e última) temporada de Game of Thrones, que talvez estreia apenas em 2019, podemos esperar alguns elementos significativos de história. Vamos a eles?

 

O INVERNO MAIS LONGO EM MILHARES DE ANOS

Com o paralelo do arquimeistre Ebrose afirmando que a Muralha sempre estaria de pé, vê-la cair prova que nenhum habitante de Westeros tem plena consciência do que realmente está por vir. Podemos esperar um período análogo à Longa Noite, com a luz do sol se escondendo do mundo enquanto o eterno crepúsculo, a pesada neve, e os mistérios da noite assolam toda a terra. Podemos esperar que Sam e Gilly continuarão a se deitar sob seus estudos, tentando encontrar respostas para derrotar o Rei da Noite. Bran poderia elevar seus conhecimentos e revelar-se mais poderoso, fazendo com que o total extermínio de sua personalidade em detrimento de suas visões apresente mais resultados. Também acredito que inverno trará a fome, a inanição, a paralisação de exércitos, ideia já apresentada na quinta temporada com Stannis Baratheon, mas que foi suspensa por conveniência do roteiro.

 

RETORNO DE PERSONAGENS

Não é certo que a atriz Ellie Kendrick retornará para o último ano da série, mas é esperado que Meera apresente seu pai, Howland Reed, aos Stark. Howland é único personagem importantíssimo dos livros que, a esta altura, a série de TV ainda conseguiria introduzir para enriquecer a história. Ele poderia ajudar Jon, Sansa, Arya e Bran a lidar com as revelações que a audiência já está digerindo há alguns anos: a verdadeira origem de Jon e a memória de Ned Stark. Além disso, Howland poderia ser um instrumento mais humano para esclarecer algumas questões sobre a Rebelião de Robert, principalmente sobre a personalidade e interesses da mãe de Jon e, quem sabe, de Elia Martell também.

Em A Tormenta de Espadas, Bran Stark e seus companheiros estão a caminho da Muralha quando o garoto pede para os Reeds lhe contarem uma história. Meera Reed então fala sobre o conto do dia em que um membro de seu povo se aventurou para fora do pântano do Gargalo, que eles chamam de lar. Este homem se apresentou em um torneio celebrado em um grande castelo de Westeros, e lá ele encontra uma garota loba que defende sua honra. Aos poucos, percebemos que Meera está falando sobre o Torneio de Harrenhal. O homem é seu pai, Howland Reed, e a mulher é Lyanna Stark, a tia de Bran.

Nesse capítulo, Jojen fica intrigado com o fato de que Ned, que estava lá, nunca contou estsa história aos filhos. Mas hoje, na série de TV, Bran poderia visitar o evento viajando para o passado. É uma pena pensar que Bran possa ter sido reduzido a isso, mas não deixa de ser uma possibilidade.

A memória de Catelyn também merece ser trazida à tona, e a melhor maneira de realizar diálogos nesse sentido seria através do retorno de Edmure Tully. O personagem está preso nas masmorras das Gêmeas desde o final da quinta temporada e, embora Arya tenha passado pelo castelo, ela esqueceu de libertar o tio de sua prisão na ocasião.

Também seria interessante esperar a volta de Edd Doloroso e do lobo Fantasma, favoritos do público.

 

OS ÚLTIMOS DRAGÕES EM CONFLITO

“Eles estavam dançando. No meu sonho. E em todo lugar que os dragões dançavam o povo morria.” (“Arianne I” – Os Ventos de Inverno).

Quando George R. R. Martin apresenta um novo Aegon no quinto livro de As Crônicas de Gelo e Fogo, ele ensaia a possibilidade de pretendentes Targaryen, um homem (jovem Griff) e uma mulher (Daenerys), disputando o Trono de Ferro, assim como seus ancestrais (Rhaenyra e Aegon II) fizeram um dia.

Com apenas mais seis episódios na manga, é difícil estabelecer que veremos essa mesma ideia de uma nova Dança dos Dragões na Westeros da HBO, mesmo que agora, Sam e Bran acreditem que Jon Snow seja o herdeiro legítimo dos Sete Reinos. Jon Snow, principalmente o da série, não é o personagem que sonha ser rei, mesmo que tenha aceitado o cargo no Norte em detrimento da irmã. Jon é o herói relutante, mas a sugestão de que ele e Daenerys poderão se separar por conta da história pregressa está aqui.

Como levantei na primeira parte deste artigo, a esta altura é muito difícil trazer temas gerais dos livros para o debate da série. Enquanto no já mencionado capítulo de Arianne vemos as pessoas sentindo medo de uma nova Dança, na série há pouco tempo para temer ou sentir qualquer coisa a esse respeito. Estranhamente, poucos personagens principais morreram nesta sétima temporada, ainda que tenha havido várias lutas envolvendo dragões. Armas de destruição em massa parecem ter um peso apenas pontual e, atualmente, pouco derivativo. Cersei explode um septo inteiro sem que haja qualquer consequência em curto ou médio prazo. Portanto, é possível que Jon e Dany não resolvam desenhar conflitos de poder em seu último arco de história. Quanto à questão do incesto, bem, ela está estampada em cada linha de história da Casa Targaryen.

Uma Dança com a morte envolvendo Drogon e Viserion, no entanto, é algo que podemos esperar. O fogo quente de valíria, o fogo azul do inverno, e sangue. Dor e a glória. Inclusive, Rhaegal ainda não tem sua montaria. Em quem você apostaria?

 

APENAS UM GATO COM UM MANTO DIFERENTE

Arya promete há tantos anos matar Cersei e Montanha que a inevitabilidade disso torna tudo muito dissonante; afinal de contas, deveríamos nos surpreender com Game of Thrones. O mesmo podemos dizer sobre o reencontro entre os irmãos Clegane, quando há uma clara promessa de enfrentamento entre os dois para o futuro, sendo que o futuro será apenas mais uma temporada com seis episódios.

Cersei não pretende mover um fio de cabelo para lutar contra o exército dos mortos, e já está pensando à frente para garantir que o legado de sua casa seja mantido durante as guerras que virão. Foi prometido a ela um exército de 20 mil mercenários da Companhia Dourada, que estariam neste momento marchando para servi-la. Euron também prometeu servi-la, para ganhar seu favor e casar-se, mas Cersei está grávida de outro homem. Temos aqui todos os ingredientes para uma histérica trama política final, sendo que a rainha Lannister faria de tudo para que seu novo bebê não seja ferido pelo mundo, como os outros foram.

Falando em crianças inocentes, a oitava temporada contará com um possível confronto entre o Bran e o homem que o marcou de maneira irremediável, Jaime Lannister.

Por último, temos Tyrion, que via em Daenerys uma oportunidade de ser visto, compreendido. Ela ofereceu um lugar ao seu lado da mesa, um cargo de confiança, uma nova família para servir. Mas agora ele terá que dividir a atenção da rainha com Jon Snow, e todos esses ingredientes têm tudo para servir um prato amargo aos telespectadores.

 


O SINISTRO ARCO GREYJOY

Bran refletiu sobre o assunto.
– Pode um homem continuar a ser valente se tiver medo?
– Esta é a única maneira de um homem ser valente – seu pai respondeu.
(“Bran I” – A Guerra dos Tronos)

Euron Greyjoy prometeu chegar a Game of Thrones sendo o pior vilão que Westeros já viu. Isso ficou bem longe de acontecer na sétima temporada, mas ainda há tempo para que, infelizmente, cumpra-se o que foi prometido. Yara é cativa do tio, e Theon partiu em busca do resgate da irmã, como se essa fosse a demanda de uma vida, e o único motivo pelo qual vale a pena lutar. Como estamos falando de personagens muito tortos e quebrados, especialmente deliciados com a ideia de provar seu valor, há uma aura sinistra pairando sobre o futuro das Ilhas de Ferro para a nova temporada. Yara inclusive é uma das últimas lideranças femininas de Westeros e, o fato de sua campanha pelo trono ainda estar em jogo, mesmo depois de todo esse tempo, causa uma certa impaciência.

O quanto do Euron maligno, mágico e misterioso dos livros poderemos ter na última temporada da série?E o quanto da guerreira completa que é Yara ainda poderemos ver? Qual Greyjoy estará vivo no final da história para comandar um dos Sete Reinos de Westeros?

 

EPISÓDIOS MAIS LONGOS

A oitava temporada de Game of Thrones terá apenas seis episódios e levará cerca de dez meses só para ser filmada. Contrariando o tempo médio de gravações nos anos anteriores, fica implícito que a série volta apenas em 2019, mas com episódios mais longos – afinal de contas, são muitos arcos.

 

A TERCEIRA E ÚLTIMA GRANDE REVELAÇÃO DOS LIVROS

“As palavras são como flechas, Arianne. Depois de disparadas, não podem ser chamadas de volta” (“O Capitão dos Guardas” – O Festim dos Corvos)

Em 2016, após a exibição do episódio “The Door”, que revelou as origens de Hodor, os produtores de Game of Thrones disseram que essa era apenas a segunda grande revelação dos livros, de um total de três, que Martin havia compartilhado. A primeira revelação aconteceu na quinta temporada, com o sacrifício de Shireen. Na época, eles confirmaram que a terceira e última reviravolta seria apresentada apenas ao final da série.

O termo “canção de gelo e fogo” refere-se aos romances proibidos entre Lyanna e Rhaegar,  Jon e Daenerys. Mas também, e talvez mais fundamentalmente, aos elementos fundamentais da história, com o gelo dos caminhantes brancos e o fogo dos dragões, o ciclo das estações, a natureza da guerra como fio condutor de um mundo que nega a transformação e evolução, entre tantas outras coisas.

Se Game of Thrones nos trouxe este ano o melhor e o pior que vemos nas produções hollywoodianas, pelo menos conseguiu estabelecer onde está cada uma das peças na rodada final do jogo dos tronos. Sabíamos que o exército dos mortos marchava em direção à Muralha por muitas e muitas temporadas, e, em retrospectiva, é óbvio que eles não iriam apenas chegar ao sul para morrer como o exército de Mance Rayder fez. Vê-los quebrar o escudo que protege o reino dos homens, de forma tão teatral, terrível e espetacular, é um aspecto inegável do poder dos elementos desta história.

O arquiteto original da Guerra dos Tronos, Petyr Baelish, foi morto. O lobo e o dragão se uniram, e o inimigo real chegou. Bem-vindo a reta final de Game of Thrones.

Quanto aos livros, pelos velhos deuses, ainda teremos muitos anos de histórias e revelações pela frente. Esta Muralha de segredos ainda está de pé, em toda sua glória.

Ana Carol Alves é editora do o site Game of Thrones BR (www.gameofthronesbr.com). Mora em São Paulo, é formada pela Belas Artes e atualmente estuda harpa sinfônica na Escola Municipal de Música de São Paulo. Escreve sobre Game of Thrones desde 2011 e acredita que somos todos cavaleiros do verão  e o inverno está chegando.


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