George R.R. Martin e as tartarugas

Publicado em: 20/09/2018


Numa simples buscar por George R.R. Martin no Google Imagens, é possível perceber que existe algo em comum entre a maioria das das fotos: tartarugas, muitas, sempre, em seu figurino. 

Resultado de imagem para George r r martin

Na coletânea George R.R. Martin: RRetrospectiva da obra, Martin revela curiosidades sobre seu fascínio por esses animais. No ensaio “Os herdeiros do castelo das tartarugas”, ele conta as origens dessa curiosa relação.

O condomínio onde o escritor morava na infância não permitia que inquilinos tivessem gatos ou cachorros. Martin então teve peixes, periquitos e tartarugas de estimação. E gostava principalmente de interagir com as tartarugas, chegando a montar para elas um castelo de lata. E, bem, eram tartarugas que viviam num castelo – cavaleiros, príncipes e reis, portanto.

“O primeiro rei tartaruga foi o Grande Sujeito, que devia ser de uma espécie diferente, já que era marrom em dez de verde, e duas vezes maior que  qualquer dos carinhas de orelhas vermelhas. Um dia, porém, encontrei Grande Sujeito morto, sem dúvida vítima de algum complô sinistro dos lagartos e dos camaleões dos reinos vizinhos. A tartaruga que sucedeu Grande Sujeito no trono era bem-intencionada mas infeliz, e também morreu e criaram uma távola redonda de tartarugas. Peppy, o Primeiro, se revelou o maior dos reis tartarugas, mas quando envelheceu…

O castelo de tartarugas não teve início nem fim, mas muito meio. Apenas algumas partes dele foram escritas, mas eu encenava as melhores cenas na cabeça, as lutas de espadas, batalhas e traições. Tive mais de dez reis tartarugas. Meus poderosos monarcas tinham o hábito desconcertante de escapar do castelo e acabar mortos embaixo da geladeira, o equivalente reptiliano de Mordor.”

Ao ler “As Crônicas de Gelo e Fogo”, podemos encontrar homenagens ao imaginário das tartarugas. Em Westeros, vemos os animais no símbolo da Casa Estermont de Pedraverde, sendo seu maior porta-estandarte o personagem Eldon Estermont.

Resultado de imagem para house estermont

A tartaruga também é símbolo da Casa Tudbury. Embora a Martin não tenha apresentado nenhum personagem da Casa Tudbury nos livros, e apenas citado seu emblema para os administradores do site Westeros.org, é provável que os Tudbury sejam uma homenagem a um dos personagens principais das primeiras histórias de “Wild Cards”: Tom Tudbury, (O Grande e Poderoso Tartaruga).

Em Essos, as tartarugas são símbolo da cultura dos roinares – civilização de pessoas que habitavam às margens do rio Roine, em Essos. Tartarugas de todos os tipos podem ser encontradas ao longo do percurso. Segundo a lenda, a Primeira Guerra das Tartarugas, das Guerras Roinares, começou quando os valirianos assassinaram uma gigantesca tartaruga, considerada sagrada.

No livro A dança dos dragões, ao deslizar pelo grande rio a bordo do Donzela Tímida, Tyrion avista diversos desses répteis:

“As manhãs eram o melhor momento para ver tartarugas. Durante o dia permaneciam no fundo do rio, ou escondidas em algum recorte das margens, mas quando o sol acabava de nascer, vinham à superfície. Algumas gostavam de nadar do lado do barco. Tyrion vislumbrava uma dúzia de tipos; grandes e pequenas, cágados e tartarugas-do-ouvido-vermelho, tartarugas-de-casco-mole e tartarugas-aligatores, tartarugas marrons, verdes, negras, tartarugas com garras, tartarugas com chifres, tartarugas cujos cascos tinham padrões com espirais de ouro, jade e creme. Algumas eram tão imensas que podiam carregar um homem nas costas. Yandry jurava que os príncipes roinares costumavam montar nesses animais pelo rio. Ele e sua esposa eram nascidos no Sangueverde, um par de dorneses órfãos que retornara à Mãe Roine.”.

No fim do mesmo capítulo, Tyrion e seus companheiros parecem encontrar o Velho Homem do Rio, uma tartaruga gigante que é uma espécie de divindade local.

Na vida real, Martin continua a amar seus bichos de estimação, seja incrementando seu visual com suas tartarugas em forma broche, seja declarando seu carinho pelos bichinhos em sua conta no Twitter. Aproveite para seguir o autor (e a editora LeYa) nas redes sociais!


Compartilhe


Comentários