Entrevista: David Benioff e D.B. Weiss

Publicado em: 10/08/2017


A LeYa acaba de lançar  Game of Thrones: Por Dentro da Série da HBO – Terceira e Quarta Temporadas, de C.A. Taylor. Para dar um gostinho do livro, uma edição luxuosa e repleta de fotos, reproduzimos aqui o prefácio: uma entrevista com os roteiristas e produtores da série, David Benioff e D.B. Weiss! 

 

 

Para cada grande história há um começo. A de Game of Thrones começou quando David Benioff e Dan Weiss leram uma série de romances épicos de George R.R. Martin e, com a bênção do autor, conseguida a muito custo, elaboraram um projeto para a única emissora que eles achavam que seria capaz de realizá-lo: a HBO.

Ao final de sua bem-sucedida quarta temporada, David e Dan relembram aquela carta e os momentos importantes para a série.

 

 

C.A. Taylor: Ao ler a sua carta de 2006 para a HBO, fica claro que vocês haviam encontrado algo especial nos livros de George R.R. Martin. Vocês chegaram ao ponto de apostar a carreira no sucesso da série. (Acho que vocês ganharam.) Algum dia imaginaram que ela se tornaria esse imenso fenômeno?

David Benioff e D.B. Weiss: Não. Imaginávamos que ela poderia se tornar um fenômeno por outros motivos. Algo como “isso teria sido muito legal se o único lugar do mundo que poderia fazê-lo não tivesse dito não”. Ou “bem, desperdiçamos três anos das nossas vidas e toneladas de esperança num piloto que foi um fracasso e que não virou uma série”. Ou ainda “criamos uma série vista por cerca de um terço do público necessário para justificar seu custo”. Mas “imenso fenômeno” nunca foi sua aposta.

 

CT: Houve algum momento específico em que vocês perceberam no que a série estava se transformando?

Benioff e Weiss: Quando (o diretor executivo da HBO) Richard Plepler nos disse, em tom confidencial, que precisaria de cópias antecipadas dos episódios de uma temporada para o presidente dos Estados Unidos. E quando um amigo nos mandou um vídeo da fila da exposição de GoT em Nova York. E quando nossas mães pararam de perguntar se já tínhamos encontrado outro emprego.

 

CT: Comentam com frequência que um de seus principais objetivos era levar a série pelo menos até o Casamento Vermelho. O que tornou esse momento um marco tão importante para vocês?

Benioff e Weiss: Bem, a reação das pessoas que viram o episódio foi a mesma que tivemos quando lemos a cena do livro. Foi, talvez, a sensação mais impactante que um evento ficcional já nos causou. E a ideia de levar essa sensação para a tela era muito atraente. Basicamente queríamos arruinar meses da vida de várias pessoas.

 

 

CT: Olhando para as quatro primeiras temporadas, há algum episódio, cena ou momento-chave que os deixou particularmente orgulhosos?

Benioff e Weiss: É impossível escolher só um ou dois. Tivemos muita sorte de trabalhar com uma quantidade absurda de pessoas absurdamente talentosas, e seus esforços combinados conferiram uma riqueza estupenda à série.

 

CT: Vocês dois dirigiram episódios para a terceira e quarta temporadas. Isso era algo que sempre planejaram tentar? E foi difícil abordar o episódio como roteiristas e diretores ao mesmo tempo?

Benioff e Weiss: As discussões com os roteiristas foram muito desagradáveis. Aqueles caras são uns grandes babacas. O nosso plano sempre foi tentar, sim, se chegássemos a um ponto em que a série estivesse funcionando bem e nos sentíssemos confortáveis para nos afastar pelo tempo necessário. E foi muito divertido. Quando chegou a hora, tivemos sorte o bastante de trabalhar com pessoas que conhecemos, amamos e em quem confiamos. Então foi como ser jogado na parte mais funda de uma piscina – mas com boias de braço.

 

CT: Olhando para o futuro, quais vocês acham que serão os seus maiores desafios nas próximas temporadas?

Benioff e Weiss: Bem, a cada ano as coisas ficam maiores e mais ambiciosas no que diz respeito à produção. Então, ao seguirmos em frente, o desafio sempre será ver o quanto conseguimos filmar e entregar a tempo para a data de estreia do ano seguinte. Nas primeiras três temporadas, era principalmente uma questão de lidar com expansões e de manter vital e atuante um número cada vez maior de personagens. O desafio mudou um pouco desde o fim da terceira temporada: estamos na fase de contração, avançando devagar, mas sem parar, rumo à conclusão. Agora, a questão é mais sobre de que modo a série vai evoluir à luz da partida daqueles personagens que não estão mais conosco. A morte de Joffrey, por exemplo: ela muda drasticamente a dinâmica do mundo da série.

 

CT: Se pudessem trazer uma pessoa de volta à vida, quem seria?

Benioff e Weiss: Gostaríamos que Khal Drogo trouxesse Joffrey, Robb, Cat e Ned do além-túmulo nas costas. Ele provavelmente conseguiria. Ficou mais sarado desde que morreu. Se não desse conta, Tywin poderia carregar um deles.


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