Criando mundos – por George R.R. Martin

Publicado em: 29/01/2018


Toda boa história precisa de personagens interessantes, uma trama cativante, uma prosa evocativa, um tema importante… mas a fantasia épica precisa também de um cenário memorável. Um “universo secundário”, como denominou J.R.R. Tolkien, um mundo ao mesmo tempo parecido com o nosso e diferente dele, com sua própria história opulenta, sua geografia, seus costumes, suas belezas e horrores. Tolkien foi um construtor de mundos sem igual. Não foi por coincidência que, quando “O Senhor dos Anéis” ganhou popularidade nos Estados Unidos durante os anos 1960, o pôster colado nas paredes de dezenas de milhares de dormitórios de universidades pelo país não mostrava um personagem, tampouco uma cena de ação, mas um mapa da Terra Média.

A melhor fantasia nos leva para longe dos lugares que conhecemos, a mundos além da colina, mundos que, uma vez visitados, habitam nossa imaginação pelo resto de nossas vidas. Esses mundos imaginários assumem uma realidade própria. Milhões de pessoas nunca visitaram Roma ou Paris, ainda que conheçam de vista o Coliseu e a Torre Eiffel. Rivendell, o Condado e as Minas de Moria são reconhecidas basicamente da mesma forma por incontáveis leitores ao redor do mundo. A história da fantasia é rica nesse tipo de paisagem imaginada. Robert E. Howard nos deu a Era Hiboriana, Robert Zelazny nos mostrou o caminho até Amber, Stephen R. Donaldson até Land e Terry Pratchett até Discworld. Jack Vance nos levou à Terra Agonizante, Fritz Leiber nos levou a Lankhmar, Ursula K. Le Guin a Earthsea e Andre Norton a Witchworld. Oz, Terra do Nunca, Nárnia, País das Maravilhas, Zotique, Gormenghast… A lista não tem fim.

Hoje o mundo precisa mais da fantasia do que nunca. Por isso tenho o orgulho de anunciar que estou patrocinando a nova bolsa anual de estudos para a oficina de autores da Clarion West, em Seattle. Um curso intensivo de seis semanas para aspirantes a escritores de ficção científica e fantasia. Seus professores e instrutores formam um honrosa lista dos maiores e mais talentosos nomes da ficção científica e da fantasia. Este ano serão Daniel Abraham, Ken MacLeod, Karen Lord, Yoon Ha Lee, Karen Joy Fowler e Ellen Datlow. O prazo para inscrição é 1 de março.

Nossa nova BOLSA DE ESTUDOS PARA CONSTRUÇÃO DE MUNDOS vai cobrir mensalidades, taxas e hospedagem de um aluno por ano. O prêmio não fará distinção de idade, etnia, gênero, religião, cor da pele, lugar de origem ou campo de estudo. O vencedor, que será selecionado anualmente por um corpo de jurados neutro, será um candidato que comprove tanto necessidades financeiras quanto talento para a construção de mundos e a criação de universos secundários. Para mais detalhes, entre em contato com a Clarion West pelo e-mail: info@clarionwest.org

A Clarion West oferece uma ampla variedade de outros bolsas e programas de auxílio financeiro, mas quanto mais, melhor. Eu me lembro muito bem do que é ser um escritor iniciante, lutando para vender e contando centavos. Minha esperança é que a Bolsa de Estudos para Construção de Mundos colabore com a longa jornada que esse grande futuro autor de fantasia terá pela frente. Como o próprio Tolkien escreveu, toda jornada começa com o primeiro passo.

Localização atual: SANTA FE
Mood atual: CRIATIVO


Texto traduzido do post “Worldbuilding in Seattle publicado originalmente por George R.R. Martin em seu blog oficial em 27 de janeiro de 2018. Link para o blog: http://grrm.livejournal.com/.


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