Cidade dos Anjos – por George R.R. Martin

Publicado em: 24/11/2017


Tenho uma relação de amor e ódio com Los Angeles.

Passei muito tempo lá nas décadas de 1980 e 90, quando eu fazia Além da Imaginação e A Bela e a Fera, e nos anos seguintes, quando eu estava no inferno do desenvolvimento*. Foi um tempo bom, de maneira geral. Pelo menos três anos daqueles foram dedicados à 405**, se me lembro bem… Seja como for, tenho muitas boas lembranças de L.A., e também algumas lembranças ruins. Fiz muitos amigos lá. E, até hoje, meu trabalho demanda idas à Cidade dos Anjos (que parece menos angelical a cada dia, se você está acompanhando as notícias) várias vezes ao ano.

Essas visitas geralmente têm seus lados bons e ruins. Faço negócios, o que é necessário. Vez ou outra volto para casa com prêmios, o que é sensacional. Dou um alô a velhos amigos, o que é sempre um prazer (ainda que todos nós fiquemos mais velhos a cada ano). De tempos em tempos faço novas amizades, o que é sempre delicioso. Mas odeio dirigir em L.A. mais ainda do que odiava nos anos 90, se isso for possível, e o clima é frequentemente muito desagradável. Tão infernalmente quente e úmido que não tenho ideia de como alguém pode suportar. E, claro, há também as reuniões. Umas são divertidas, outras não. Mesmo as melhores reuniões, pelo que percebo, raramente levam a algo concreto.

Semana passada, no entanto, fiz uma ótima visita a L.A. O clima, coisa rara, estava esplêndido. Não muito quente, não muito úmido, um lindo céu azul, crepúsculos belíssimos.

Quando eu não estava contemplando a cidade da varanda do meu quarto no Four Seasons, estava em reuniões. Reuniões na HBO, na maior parte do tempo. Coisas bem animadoras, e tudo correu muito bem. E reuniões com alguns dos maiores estúdios de cinema, também, a respeito de possíveis adaptações de outros livros meus. Todas muito animadoras. Cruzem os dedos das mãos e dos pés, porque é possível que eu tenha notícias eletrizantes a caminho.

Eu também costumo dar um alô a velhos amigos, como disse. Um dos pontos altos foi o jantar com parte do pessoal com que trabalhei e A Bela e a Fera.

A gangue completa não pôde estar lá, mas compareceram ao encontro (da esquerda para a direita) Linda Campanelli (roteirista), Jay Acovone (Joe Maxwell), Ron Koslow (criador da série), este que vos escreve (roteirista e produtor), Ron Perlman (Vincent) e David Schwartz (produtor). Foi um encontro épico. Contamos várias histórias e rimos muito, e, claro, fizemos um brinde à memória de Roy Dotrice, nosso Pai… que chegou aos 94 anos, e ainda assim morreu cedo demais.

Foi uma honra ter trabalhado em A Bela e a Fera, e tenho muito orgulho do trabalho que fizemos.

Mood atual: CALMO


Texto traduzido do post “City of the Angels”, publicado originalmente por George R.R. Martin em seu blog oficial em 21 de novembro de 2017. Link para o blog: http://grrm.livejournal.com/.


* Período em que um filme ou série está com a produção parada.
** Referência à Interstate 405, estrada no sul da Califórnia que leva a Los Angeles.

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